angélica freitas

O maior mágico

Alguns fragmentos de Novalis, traduzidos por Mário Cesariny:

O maior mágico seria aquele que pudesse encantar-se a si mesmo de forma tal que os seus sortilégios lhe surgissem como aparições estranhas e com poderes próprios. (Não será este, efectivamente, o caso?)

O próprio acaso é sondável, tem a sua regularidade.

Toda a descida em nós mesmos é simultaneamente uma ascensão, uma assumpção, uma vista do verdadeiro exterior.

Existimos em relação com todos os pontos do universo, tal como com o futuro e com o passado. É só da direcção e da duração da nossa atenção observadora que depende a questão de sabermos que relação preferimos cultivar, que relação será para nós a mais importante e a mais activa.

Todo o objecto amado é o centro de um paraíso.

Tudo acontece em nós muito antes de ter acontecido.

Estamos sós com tudo aquilo que amamos.

(Em "Fragmentos", Novalis, ed. Assírio e Alvim, 1986.)